Ensaio sobre o Extincionismo® - 1

Ao receber o simpático convide da Christine, para participar de uma ação conjunta de blogueiros para o bem da humanidade, me vi sem saída e me declarei um Extincionista®.

Palavra (mal) inventada no calor do momento da resposta, que me interessou muito. O que vem a ser isto?
Nos quinze segundos entre proferir esta palavra e abrir o campo de postagem para escrever este post eu tive a iluminação que precisava para explicar de forma inicial, um tanto leviana e talvez agressiva. Não que eu queira ser agressivo, claro... Ok, eu quero agredir sim.

Percebo a humanidade caminhando para a inevitável auto-extinção. Por mais que demore dezenas de anos, eu tenho certeza de que, parafraseando o Capitão Nascimento, hype do ano passado: "Vai dar merda esta porra."
A população cresce em escala geométrica, os recursos naturais simplesmente não vão suportar mais do que cinquenta anos, cada vez mais gente tem menos dinheiro (que, infelizmente, vale mais do que a vida na sociedade, já há séculos) e mais gente despreparada, preconceituosa e cretina tem mais influência sobre a população menos informada (acho que já falei isso por aqui...) e mais "controlável". As ações contrárias são ineficazes, apesar de eficientes em certos casos. Digo, um grupo de cem pessoas não vai mudar um grupo de um milhão, a não ser que derramem sangue pra isso. Nossa sociedade acabou e nem percebemos ainda. Toda teoria política funciona até certo ponto e toda filosofia cai por terra a cada sedução do materialismo.

Eu, radical? Um teve que ser crucificado pra provar seu ponto de vista, e mesmo assim não convenceu todo mundo. Vários foram parar na fogueira tentando se fazer ouvidos com suas idéias "absurdas" às respectivas épocas, ou simplesmente por dar nomes estranhos a temperos. Diz o budismo ser o ciclo normal da natureza, pois sem sofrimento não há felicidade, e vice-versa, pois não temos noção de um sem perceber as sensações do outro. Quando se trata da humanidade inteira, é natural que merdas aconteçam, mas o caminho (também natural) de uma comunidade descontrolada é se desgastar, aos poucos acabar. Não lembro a fonte, mas já li algum texto, ou citação parecida com: "O ser humano, sozinho, é um animal racional, inteligente, pensante. Já em grupo, é apenas gado.", e olha, não pode haver afirmação mais acertada. Depois de milhares de anos de evolução, acredito sim que estamos regredindo a estados mais primais do nosso ser. Já estamos agindo, hoje, como animais.

Quanto mais bugigangas tecnológicas temos, menos sabemos como agir com seres humanos e situações reais. Mais esperamos o lançamento de alguma coisa nova do que a visita de algum parente. Valorizamos cada vez mais nossa individualidade, por mais figurinhas que colecionemos nos Orkutes e contatos mudos nos Messengeres, desejamos ficar sozinhos, e ai daquele que invadir nosso "território"! Nos tornamos públicos, mas nos fechamos. Temos menos escrúpulos. Quem já viu o filme "Eu sou a lenda", lançado nos cinemas na sexta-feira passada, pode se lembrar da cena, quem não viu, preste atenção quando Will Smith sai de casa, pela manhã. A paz, o silêncio, a tranquilidade... é tudo assustadoramente convidativo. Ser extincionista é não ver porquês, propósitos ou justificativas para a existência do homem sobre a Terra. Um "erro de deus", nada além disso.

A globalização como consciência plena de humanidade "una com o universo" chegou muito atrasada. Estávamos ocupados demais ganhando dinheiro, desenvolvendo nossas incríveis habilidades. O planeta está morrendo, e por mais que se tente ajudá-lo, ele já está é de saco cheio dessa putaria toda que fazemos por aqui. Alguém duvida que ele está reagindo?

E alguém acha que ele realmente precisa reagir de alguma forma pra garantir nossa extinção? Nietzsche disse que "deus morreu na cruz", mas eu acho que ele morreu a partir do momento que não precisamos mais de nenhum apocalipse.

2 Comments:

Pedro said...

Eu teria simplesmente dito àqueles idiotas que "recorrendo à imagens" não tem crase e que escrever sobre a febre amarela não vai desmotivar mosquito nenhum.

Mas ficou bacanudo, isso aí!

Tine Araujo said...

"Endureça sem perder a ternura!"
A cada post que lançamos somos responsáveis por mudanças ou, simplesmente indiferença! Concordo quando diz que a humanidade está caminhando para sua extinção. Mas ainda acredito que temos uma chance! Eu mesma não vou tomar a vacina, primeiro porque acho que é uma reação tipo "guerra dos mundos" transmitida pela mídia de forma irracional (ou golpe do governo, desviando nossa atenção), segundo não moro em área de risco e terceiro não vou viajar para lugar nenhum!

Mas com certeza isso é uma discussão muito relevante, pois, realmente, seu post faz a diferença!!! Mas lembre-se, por mais que pareça ilusório, mudar o mundo está em nossas mãos!!!

E se tiver um tempinho... segue uma histórinha:
http://www.catequisar.com.br/mensagem/reflexoes/07/msn_175.htm

Ah!!! E obrigada pela citação!!!
Já falei que gosto muito do que escreve? :)

Abraços

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